Xisustro – o Noé Caldeu

 Uma das pistas mais preciosas de que podemos dispor para conhecer o longo passado da nossa Terra (e dos seres que nela habitam) é, sem dúvida, o testemunho unânime, ou pelo menos alargadamente repetido no espaço e no tempo, sobre a ocorrência de determinados factos.

Sensatamente, não devemos desprezar esses testemunhos. Fazê-lo, seria incorrer no pressuposto de que (quase) todos os Antigos eram tolos ou alucinados, e que só a nossa civilização, dita moderna e ocidental, tem o privilégio da razão. Com efeito, de que outro modo explicaremos os relatos e tradições fundamentalmente concordantes?

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Olhares (im)Possíveis

 “Fenómenos! Assim vos chamam.

Não sois senão projecção mágica da mente.

Jamais vi a amplitude do céu ter o mínimo medo.

Tudo isso não é mais do que irradiação de claridade.

Não há “porquê”, não há “porque”.

Tudo o que me acontece me é ornamento.

É pois melhor que medite em silêncio.”

Yeshé Tsogyal

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A meditação entre Oriente e Ocidente

 A redescoberta da meditação

Pode-se hoje dizer que a progressiva (re)descoberta da meditação pelos ocidentais, como um treino regular da mente que visa desenvolver uma capacidade de atenção calma, clara e contínua, como forma de melhorar a qualidade de vida, em termos psicossomáticos, com profundos benefícios no plano da saúde e dos cuidados paliativos, da educação e do desenvolvimento sócio-profissional, bem como enquanto modo de desenvolver as potencialidades cognitivo-afectivas da consciência, é um fenómeno histórico-cultural e civilizacional dos mais relevantes no final do século XX e no início do século XXI, assumindo uma expressão simultaneamente popular e erudita.

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Desaprender…

 Na secção do “Aprender a Ser”, falamos hoje de… desaprender.

 

Não é um engano, não é um trocadilho de palavras.

 

Para aprendermos realmente a ser, nós, perdidos no ter, no fazer e no crer, temos que desaprender.

 

Temos que des-construir toda a carga de ilusões que aceitámos como realidades.

 

Temos que limpar toda a camada de preconceitos que tomámos como verdades.

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VISHVAKARMAN

O termo desta vez escolhido, por referência à letra “V”, é também transliterado do Sânscrito por Vishvakarman, Vizvakarman ou Vichavakarman.

Vishvakarman, proeminente na cosmogonia-mitologia da Índia, é o Arquitecto ou o Artífice divino do Universo, frequentemente identificado com Prajâ-pati 1 e 2 (Brahmâ), embora por vezes mencionado como filho de Brahma. A tradução “Artífice” tem a virtualidade excelente de imediatamente evocar o Demiurgo – Artífice – do Platonismo; contudo, a opção “Arquitecto”, que releva mais o sentido de criação ou formulação mental (arquetípica), tem a vantagem de lembrar o Princípio Hermético segundo o qual “o universo é mental”, ou seja, que na Mente Divina (substancialmente constituída por todas as Inteligências Espirituais criadoras) existe pristinamente o Cosmos, que depois se densifica em níveis crescentes de materialidade / objectividade fenoménica.

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Génese da Terra e do Sistema Solar

 “… Saído das profundezas da Existência Una, do inconcebível e inefável Um, um Logos, impondo-se um limite, circunscrevendo voluntariamente a extensão do seu próprio Ser, torna-se o Deus manifestado e, ao traçar os limites da sua esfera de acção, determina também a área do seu Universo. Dentro de tal esfera nasce, evolui e morre este Universo, que no Logos vive, se move e tem o seu ser. A matéria do Universo é a emanação do Logos, e as suas forças e energia são as correntes da sua Vida. O Logos é imanente em cada átomo, é omnipenetrante. É o princípio (ou origem) e o fim do Universo, a sua causa e objecto, o seu centro e circunferência… Está em todas as coisas e todas estão nele…”

 

Esta loquaz descrição, feita há mais de 100 anos por Annie Besant1 no seu livro Sabedoria Oculta, diz respeito ao nascimento de um Universo no seu sentido pleno, integral, e não apenas ao surgimento de um Universo no Plano Físico (sendo, este, apenas o 7º e último Plano do Septenário Cósmico).

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Revisitando um conto infantil: Os três porquinhos e o lobo mau

Nesta época de materialismo crasso e ilógico, só a Filosofia Esotérica é capaz de resistir aos repetidos ataques a tudo quanto o homem tem de mais caro e sagrado na sua vida espiritual interna.

 

Helena Blavatsky

 

Todos nos recordaremos, de criança, da história do lobo mau que queria devorar três porquinhos. Para se protegerem, construiu cada um destes a sua habitação: o mais jovem fez, rapidamente, uma atraente mas frágil casinha de palhas; o do meio, um pouco mais exigente, recorreu a madeira para fazer o seu lar; por fim, o mais velho, maduro e reflectido dos três, depois de, em vão, ter avisado os seus irmãozinhos da insuficiência dos meios por eles usados, levantou um sólido edifício de pedra.

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Antes de Darwin

Quando a Terra acordou das trevas, os princípios elementares subtis produziram a semente vegetal

que animou o Reino vegetal em primeiro lugar;

das plantas, a vida [íntima] transferiu-se para corpos fantásticos

que se desenvolveram no ilus das águas;

então,

através de uma imensa cadeia diversificada de formas animais,

ela chegou por fim ao Homem…

 

Mānava-Dharmaśāstra (ou As Leis de Manu), Livro I

 

Em Defesa dos Animais

Carta Aberta de Paulo Borges aos Portugueses e ao Dr. Moita Flores sobre a sua petição “Em defesa da festa brava”.

 

Chamo-me Paulo Borges. Sou professor na Universidade de Lisboa e escritor. Dirijo a revista Cultura ENTRE Culturas. Tenho dois filhos. Sou o primeiro signatário da Petição “Pela abolição das touradas e de todos os espectáculos com touros”, que circula na net e em versão impressa. A petição, lançada pelo Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), serviu de base à constituição da plataforma “Basta de Touradas”, que conta já com a adesão de 26 associações e entidades de defesa dos animais e com vários apoios de figuras públicas, nacionais e internacionais.

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Viajar no tempo: possibilidade ou ilusão?

 

O tempo, esse fluir que medimos com relógios e com os ciclos da Natureza, é um dos conceitos mais familiares com que lidamos e do qual falamos muitas vezes repetindo exaustivamente pequenas considerações e queixumes como “não tenho tempo”, “falta-me tempo”, “ se eu tivesse tempo”, “tempo é dinheiro!”, “que desperdício de tempo!”, etc.

 

Passado e futuro são bem diferentes. O futuro é tempo pleno de possibilidades e alternativas; o passado é tempo que não volta mais, um registo perene de todos os instantes vividos. Entre passado e futuro … o fugaz agora.

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