Big Bang: O moderno mito da Criação (Biosofia nº 36)

À medida que as fronteiras do conhecimento científico se alargam e o desenvolvimento tecnológico nos permite ter acesso a fenómenos e segredos da Natureza inimagináveis até há algumas décadas atrás, as incontestadas verdades do passado são atiradas para o rol das coisas esquecidas e novas certezas tomam, temporariamente, conta do presente.

Os novos paradigmas têm, em geral, vida efémera e outros rapidamente tomam o seu lugar. O passado contém o gérmen da potencialidade futura, o amanhã prepara o dia seguinte e o presente é algo que rapidamente se perde entre o que foi e o que será. Continuar a ler »

Substância (Biosofia nº 36)

“A existência da matéria, então, é um facto; a existência de movimento é outro facto, e a auto-existência ou eternidade e indestrutibilidade deles constitui um terceiro facto (…). O Movimento É Eterno porque o Espírito é eterno”.
Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett

“A concepção de matéria e espírito como total e eternamente diferentes jamais poderia haver entrado na minha cabeça (…) porque uma das doutrinas elementares e fundamentais do Ocultismo diz que os dois são um, e são diferentes apenas nas suas manifestações, e só nas percepções limitadas do mundo dos sentidos. (…) as nossas doutrinas mostram apenas um princípio na Natureza – espírito-matéria ou matéria-espírito, sendo o terceiro o Absoluto último ou a quintessência dos dois – se posso ter a permissão de usar um termo erróneo neste caso – perdendo-se além da vista e das percepções espirituais até mesmo dos ‘Deuses’ ou Espíritos Planetários”.
Idem

“Uma substância nunca existe sem uma qualidade, e é somente pelo acto de percepção que esta substância que serve de base aos corpos, e que é capaz de qualidade, é descoberta como matéria”.
Orígenes, Antenicene Fathers, Vol. IV – Fathers of the Third Century, pág. 379

Remissão
Nos nºs 15 e 16 desta revista Biosofia, na secção “Entre o Céu e a Terra”, publicámos dois artigos, acerca da Matéria, em que escrevemos muito do que caberia agora exprimir. Continuar a ler »

Maçonaria e Inquisição (Biosofia nº 36)

“Este caminho [de provação] passa por cárceres
que parecem túmulos de cheiro nauseabundo,
pelas câmaras de tortura da Inquisição,
leva aos horrendos cadafalsos, à forca, às fogueiras dos autos de fé,
às galés e ao desterro nalguma ilha do diabo…” (1)

A história da Maçonaria é feita de dores e horrores. Em Portugal, a primeira loja maçónica especulativa foi fundada em Lisboa pelo empresário católico inglês William Dugood, cerca do ano 1728. Continuar a ler »

OS DRUIDAS E AS SUAS REMOTAS ORIGENS (Biosofia nº 35)

Os Druidas foram uma casta sacerdotal ente os celtas, tendo florescido na Bretanha e na Gália. A origem do seu nome permanece controversa. Muitos tendem a considerar que, tal como ocorre com a palavra irlandesa drui, significaria “o homem das florestas de carvalhos”; e, a reforçar esta tese, há o facto de os gregos da Antiguidade chamarem dryades às divindades das florestas. Com efeito, também em grego o carvalho se dizia drus. Entretanto, com igual plausibilidade, há quem faça derivar a palavra “druida” do gaélico druidh, que significa “homem sábio” ou “mago”. Do mesmo modo, em árabe, deri significa “homem sábio”; e, em persa, duru significa “um homem santo”. Outros, ainda, associam-na ao hebraico derussim, drussin ou drissin, que quer dizer “homens contemplativos”, nome, aliás, com alguma semelhança com o dos daruish (dervixes), da Turquia e do Irão. Continuar a ler »

Renascimentos (Biosofia nº 35)

A Doutrina Secreta de Helena Blavatsky, a obra maior de Ciência e Filosofia Oculta à disposição do público, apresenta, no seu Proémio, uma síntese magnífica de tudo o que é essencial e causal para a compreensão dos Mistérios da Vida e do Ser, formulada nas suas três proposições fundamentais. Nelas, encontramos o ponto de partida e a fundamentação de qualquer temática (do Esoterismo ou, realmente, de tudo), incluindo, naturalmente, a deste artigo. E por este motivo, bem como por serem uma referência que importa nunca perder de vista, aqui as vamos reproduzir: Continuar a ler »

Uma Carta de Spinoza (Biosofia nº 35)

Bento de Espinosa, ou Baruch de Spinoza, foi um dos mais profundos e respeitáveis filósofos europeus, além de ter dado um magnífico exemplo de integridade na sua vida1.

Viveu num tempo difícil (entre 1832 e 1677), mesmo quando se abrigou na Holanda, então um dos países mais liberais em termos de expressão de pensamento. Teve que suportar o peso de cegueiras e intolerâncias religiosas: foi atacado e perseguido por Judeus, por Cristãos Católicos e por Cristãos Protestantes. Continuar a ler »

Mitos e Verdades no Caminho Espiritual (Biosofia nº 35)

Como Perceber Melhor o Que é Joio, e o Que é Trigo

Certos ditados populares contêm uma sabedoria verdadeiramente imortal, quando nos advertem sobre as relações surpreendentes entre o que é ilusão e o que é realidade:

* “O essencial é invisível aos olhos.”

* “As aparências enganam.”

* “O hábito não faz o monge.”

* “Quem vê caras não vê corações.”

Apesar de todos os avisos e conselhos nesse sentido, é normal que muitos se deixem levar pelas aparências. Continuar a ler »

Burros de Carga (Biosofia nº 35)

Há muitos homens que pensam estar a comprar prazer
Quando, na verdade, estão apenas a vender-se a si próprios como escravos.

Benjamim Franklin

Somos nós os burros de carga. Sim, nós, que temos às nossas costas esta estúpida rede de compromissos, alienações, deveres, obrigações, taxas, impostos, papeladas, horários e tantos outros pesos e pretensas posses que constituem a nossa carga; e que voluntariamente, numa escolha que não faria nenhum burro (por ter maior sensatez), entrámos neste labirinto chamado civilização, incluindo o mundo dos bancos, das finanças, das empresas volvidas em novas divindades, das sempre crescentes necessidades (dependências) que inventamos.

Tudo isto nos cai em cima, num cenário a que se chama crise, e que haverá sempre de voltar, com novas faces, se persistirmos em tentar extinguir esse incêndio justamente com o combustível que o alimenta: a ilusão da posse, da riqueza, do “meu”; as idolatrias relativamente às empresas, aos bancos, aos lucros; a vaidade com a esperteza negocial, com o brilho da carreira profissional, com a correria desenfreada pelo sucesso.

O mundo está cheio de coisas que não interessam nada, e somos capazes de consumir a vida, e de dar cabo dela, por causa dessas mesmas coisas. Afogamo-nos carregados de “tesouros”…

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

Do Éter ao Campo de Higgs (Biosofia nº 34)

A palavra éter está associada a um conceito multimilenar complexo usado pelos antigos filósofos gregos, os quais, por sua vez, se inspiraram nas mais remotas concepções orientais de que há memória. Um dos maiores vultos da ciência moderna, Isaac Newton, ele próprio um conhecedor e estudioso dessas filosofias ancestrais, foi buscar a ideia base desse conceito e aplicou-o no campo da física, a fim de dar consistência teórica à sua teoria sobre a natureza corpuscular da luz. Continuar a ler »

Queda (Biosofia nº 34)

Introdução
A referência a uma Queda (ou a várias Quedas) de Entidades Espirituais em Idades remotas (ou no princípio do tempo, se não mesmo dando origem ao tempo), bem como a uma ou várias Guerras nos Céus, e a um ou vários Rebeldes, pode ser encontrada nas mais diversas religiosidades, teologias e mitologias. Assim é, como se tentará ilustrar, ainda que os modos como são apresentados tais eventos variem desde as nobilíssimas concepções cosmogónicas, passando pelos véus de um simbolismo mais ou menos complexo, até a formulações mais confusas e distorcidas.

A versão da teologia Cristã oficial está longe de ser a original; pelo contrário, é uma das mais recentes e constitui uma cópia deficientemente assimilada e mesmo invertida de fontes mais arcaicas e (por isso) mais puras. Ficou a partir de então distorcido o entendimento dessas questões para grande parte da Humanidade. Mesmo as alusões existentes no Alcorão estão condicionadas pelos pressupostos erróneos do Cristianismo exotérico 1. Considerando, porém, o ambiente cultural em que nascemos e fomos influenciados na Europa e na América, temos naturalmente que dar uma atenção muito particular a tais interpretações Cristãs, que certamente são as mais conhecidas (talvez até as únicas conhecidas) pelo leitor. Continuar a ler »