Os Malefícios do Café

Um dos modernos-costumes-bárbaros, que parece ter vindo para ficar, é o uso-abuso do café. Mas não se trata do café das nossas avózinhas, inofensivamente feito - de manhã, pela fresquinha, ou na calmaria dos serões à lareira - naquela bonita e saudosa cafeteira de esmalte. Agora… é o tempo do café de máquina, “à pressão”.

Perguntarão, alguns: qual é a diferença? E o que é que isso tem de mal?

A Era do Café de Máquina
É que o café tem uns “compostozinhos”, em número variado, conhecidos por “alcalóides” que, alguns deles, pareciam muito dorminhocos, nunca “acordando”, mesmo quando atravessavam as altas “temperaturas” e “digestões” dentro do nosso organismo. Passavam de forma quase neutral, sem molestar particularmente. No entanto, desde que inventámos aquela coisa das máquinas de pressão, surtiu-se uma reacção inesperada, e os nossos amigos alcalóides desataram todos a “gesticular”. E olhem que eles são danosos - de que maneira! E viciam - viciam mesmo!…(1)

Na verdade, o bom português parece já não saber passar sem o seu rico e precioso “café de máquina”. Todos os pretextos são bons: logo ao início do dia, para acordar (acotovelando-se nas pastelarias apinhadas de parceiros, tão amigos do café como “ele”); por vezes, a meio da manhã, para reforçar o ânimo e aguentar aquela tremenda azáfama no escritório; depois do almoço, para a refeição assentar bem; à tarde, para exorcizar o dia de trabalho, que já passou, e marcar bem o momento a partir do qual se está livre; depois do jantar… para colocar, em beleza, o ponto final no dia.

Malefícios.
Ora, a respeito deste “veneno negro”, vamos ser um bocadinho mauzinhos - vamos dizer a verdade. - e lembrar o já longo rol de patologias definitivamente estabelecidas como estando associadas ao seu consumo habitual ou excessivo.

O “bichinho” mau responsável pelas maiores mazelas - a cafeína - é um poderoso irritante dos sistemas nervoso, cardiovascular, digestivo e urinário. Relativamente a este último, revela-se particularmente insidioso, porquanto, muitas vezes, os sintomas desagradáveis (vulgarmente considerados benignos), podem encobrir uma condição pré-cancerígena - tanto dos rins, como (principalmente) da bexiga.

Por outro lado, agindo como um diurético compulsivo, a cafeína é responsável por uma perda substancial de minerais e oligoelementos, aminoácidos e vitaminas essenciais, depauperando e desvitalizando drasticamente o organismo (por exemplo, desencadeia a perda de sódio, potássio, cálcio, zinco, magnésio, vitaminas A e C, bem como do complexo B, e inibe o aproveitamento energético de numerosos oligoelementos, tão vitais - sabe-se hoje - para o equilíbrio eléctrico-metabólico e a saúde em geral). Está na origem de grande número de cancros da próstata, um dos flagelos do nosso século. Igualmente se registra uma relação directa entre o seu consumo frequente e a doença fibroquística (eventualmente percursora do “cancro da mama”). Polipos, verrugas, como também psoríases e outras afecções dermatológicas, são outros tantos dos seus rastros daninhos.

Embora pareça comportar-se como um estimulante da actividade cerebral, a verdade é que reduz a taxa de oxigenação ao nível dos neurónios (por isso, designadamente, em caso de síncope, é de todo contraproducente recorrer-lhe). Também favorece o surgimento da flacidez muscular e conduz a um envelhecimento precoce; conco-mitantemente, é-lhe associada a acentuação de casos de presbiopia (deficiente visão “ao perto”), mais comum na idade madura. Desidrata a pele e favorece o aparecimento de manchas de pigmentação, cor de cobre (devido, precisamente, ao alto teor de cobre que contém, e de que o organismo, acumulando-o, não consegue desen-vencilhar-se com facilidade).

É um temível hipertensor, como é sobejamente conhecido, e tão pouco é simpático para os propensos à diabetes.

. E Mais Malefícios
Vamos agora virar-nos para as afecções do trato digestivo. Quem, entre os amigos do café, não sentiu já as “amarguras” provocadas pelo seu “mau humor”?

Na verdade, o café provoca uma maior secreção de ácido clorídico, causando irritações de menor, maior ou mesmo muito grande monta nas mucosas. É, pois, um inimigo tenaz do estômago, do esófago (causando aquela cada vez mais comum e desagradável afecção ácida designada por “refluxo esofágico”, que chega a invadir a faringe.), do pâncreas, do fígado e da vesícula biliar, dos intestinos (quanto a estes, é uma autêntica “bomba” a produzir fermentações). É, igualmente, um implacável fomentador de colites e ulcerações.

Como é um acidificante do sangue, propicia o surgimento de alguns tipos de leucorreias e outras afecções do foro genito-urinário como, por exemplo, cistites, colibaciloses e variados acessos fúngicos (estes, não apenas genitais).

Por fim, se o amigo leitor é propenso a cãibras, desista - de vez - deste seu cruel inimigo! Decerto, já lhe chegam as doenças que podem por aí vir à sua (dele!) conta… e aquelas, imaginárias, que, só por ler este artigo, já o estão a fazer mexer repetidamente na cadeira! Desculpe qualquer coisinha, e este meu mau humor de hoje! `

Uma inimiga do café
que nem sempre lhe resiste
i. n. g.

(1) Além disso, quando sujeito à torrefacção, formam-se no café tóxicos como o amoníaco, piridinas, ácidos acético e valeriânico, furfurol, fenóis e outros que tais.

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